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BIOGRAFIA
Dr. Benjamin Waintraub
Nudel Z’L’
Após
a segunda grande guerra o casal Waintrob refugiou-se na Alemanha,
tendo fugido da Rússia e da Polônia. Lá, em 1946, nasceu o Benjamin,
na cidade de Cassel. Nessa época só a Bolívia estava concedendo vistos
de entrada para judeus, e por isso a família foi para La Paz, onde,
apesar de todas as dificuldades decorrentes da imigração conseguiu dar
aos filhos, pois nessa época Benjamin já tinha um irmão mais jovem,
uma formação judaica, reforçada pelo estudo primário e secundário no
Colégio Boliviano Israelita em La Paz.
Benjamin resolveu fazer
medicina e, sendo sionista, seu maior sonho teria sido fazer a
faculdade em Israel. Entretanto a família só tinha reservas para
enviar um dos filhos para lá, e ele, embora sendo o primogênito, e já
em idade de cursar a faculdade, resolveu deixar a oportunidade dessa
viagem para seu irmão caçula.
Assim sendo fez seus
estudos médicos na Universidad Mayor de San Andrés (Universidade
Estadual), após ter conseguido classificar-se para tal junto com
cinqüenta outros estudantes. Enfrentou diversos obstáculos para
finalizar essa formação; durante uma fase ditatorial e enfrentou
professores antisemitas que tentavam reprová-lo tão somente pelo fato
de ser judeu. Mesmo assim logrou êxito em concluir o curso, tendo
sempre se destacado entre os demais estudantes.
Foi monitor de
"Elementos de Medicina Prática" da cadeira de Biologia, para alunos de
primeiro ano e da cadeira de Cirurgia geral, para alunos do quinto ano
da faculdade. Como doutorando interno estagiou (1974) em diversos
departamentos do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da
Universidade Mayor de San André - La Paz, Bolívia. Concorreu com vinte
residentes à vaga de anestesista residente, sob a direção do Prof. Dr.
Carlos Conrado Castaños, titular da cadeira de anestesologista da
referida faculdade, tendo sido o único aprovado, e lá fez seu primeiro
ano de residência (O Dr. Castaños foi, por três gestões consecutivas,
secretário geral da Sociedade Latino-americana de Anestesiologia).
Nessa época, para ajudar nas despesas da casa, trabalhava também como
radialista: tinha estudado canto lírico e portanto tinha a vantagem de
uma bela voz, muito bem colocada.
Ao formar-se recebeu
propostas de trabalho e especialização na Suécia e em Israel; como
nessa época já tinha conhecido, durante uma viagem de turismo, Regina
Drukier que depois se tornaria sua esposa, declinou essas propostas e
optou pelo Brasil. Aqui terminou sua residência de anestesiologista,
como bolsista na Clínica de Anestesia Dr. Kentaro Takaoka (1976-1977)
e mais tarde especializou-se também em psicoterapia, pelo IBP (1987 a
1989.
Ainda, como
post-graduação, fez um curso de Medicina do Trabalho (Fundacentro -
1980, Curso de Aperfeiçoamento em Anestesia Pediátrica no Hospital
Menino Jesus (Guarulhos - SP, 1977).
No Capítulo Brasileiro
atuou desde 1992, e a partir de 1996 fez parte de sua diretoria.
Em sua vida familiar foi
"aprovado" com louvor. Como marido e pai, sempre foi protetor,
colaborando nas decisões a serem tomadas, e tendo como sua prioridade
máxima a educação dos filhos, para o que se baseava em princípios
judaicos. Nunca mediu esforços para que os filhos tivessem a melhor
formação tanto profissional quanto pessoal, para que, acima de tudo,
se tornassem homens dignos e de caráter.
O bem estar da família
era sua preocupação constante, deixando assim, muitas vezes, para
trás, a realização de seus próprios desejos, como, por exemplo, quando
poderia ter realizado um dos seus grandes sonhos, uma ida a Israel,
mas a possibilitou aos filhos.
Tinha grande orgulho da
esposa e dos filhos a quem sempre apoiou e deixou sonhar e correr
atrás de seus projetos profissionais e pessoais, por mais desconexos
que lhe pudessem parecer.
Seus ideais e princípios
de solidariedade humana e ajuda ao próximo o faziam colocar-se em
segundo plano, preocupando-se até mais com os outros do que consigo
próprio. Por essa forma especial de ser, tornou-se figura marcante, e
as pessoas que com ele conviviam aprendiam a entendê-lo para depois
vir a amá-lo.
Enquanto psicoterapeuta
era carinhosamente chamado de "paizão" e "melhor amigo". Conforme
depoimentos, aplicava puxões de orelha de modo que eles estabelecessem
um rol de objetivos e trilhassem com galhardia em sua busca, bem como
sistematicamente cobrava resultados.
Publicou o livro "Moreno
e Chadicismo – Princípios e Fundamentos Filosóficos", o que teve para
ele sabor de conquista e vitória. O trabalho foi publicado em Portugal
e teve reconhecimento internacional. O roteiro de sua monografia para
a conclusão do curso de terapia transpessoal já estava pronto e seu
objetivo era transformar mais esse trabalho em um livro, com uma visão
holística que integraria o psicodrama à terapia interpessoal, passando
pela mística judaica.
Fez a revisão de
"Realidade Reversível", livro de Alfredo Corrêa Soeiro.
Tinha ainda muitos
sonhos e planos.
Entre um dos seus
possíveis e prováveis últimos escritos, encontramos a seguinte frase:
"passo o cajado a você, a responsabilidade do caminho que seguirás
e os que te seguirão é tua", mensagem esta que pode ser
interpretada com um estímulo a todos aqueles com quem conviveu, a quem
ajudou, conquistou e amou. |