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BIOGRAFIA

Prof. Dr. Aron Judka Diament

Aron Judka Diament, nasceu em 19 de julho de 1931 e se formou em Medicina em 1955 pela FMUSP. Ingressou na carreira docente em novembro de 1978, também pela FMUSP.

Breve histórico de sua carreira:

Após ter assistido, em janeiro de 1956, a um Curso de Aperfeiçoamento de Neurologia Infantil ministrado pelo Prof. A. B. Lefèvre, retornou à Clínica Neurológica da FMUSP em setembro de 1956, com a intenção de se dedicar àquela especialidade. De abril de 1956 a junho de 1957, trabalhou como médico-interino do Estado de São Paulo no Hospital do Juqueri, pois pretendia ser psiquiatra). Passou a realizar estágios nesta Clínica pelas manhãs: de setembro de 1956 até julho de 1957, e acompanhou as atividades da Seção de Neurologia Infantil no Ambulatório e Enfermarias. A partir de julho deste ano o estágio foi oficializado, com duração de 2 anos, durante o qual organizou e realizou as atividades de neuranatomia, eletroencefalografia, clínica neurológica de adultos, neurorradiologia, além de freqüência às reuniões semanais neurocirúrgicas orientadas pelo Prof. R. A. Tenuto. Apoiado pelo Prof. Lefèvre, sentiu-se integrado no espírito de equipe que sempre norteou o Mestre, tendo aperfeiçoado sua formação neurológica e neuropediátrica, esta mediante as funções que passou a exercer junto à Enfermaria e ao Ambulatório, desde janeiro de 1958. De julho de 1959 a março de 1960 continou na Clínica Neurológica como adido-voluntário, quando foi convidado pelo Prof. Tolosa a fazer parte integrante do Corpo Docente da Clínica, sendo nomeado Médico-Auxiliar de Ensino, função gratificada e, desde 1961, passou a exercer as funções de ensino, inicialmente prático (Semiologia e Fisiopatologia); participou do Curso anual de graduação da FMUSP, com numerosas aulas práticas e teóricas. Em 1961, ainda recebeu do Prof. Tolosa o título de Assistente-Extranumerário.

Em 1957, em vista do aprimoramento de sua formação neurológica pediu demissão do cargo de Médico-Interino do Estado e conseguiu credenciamento junto ao antigo IAPI, onde exerceu a função de neurologista até 1965, quando pediu demissão, embora, por tempo de serviço já tivesse conseguido nomeação como funcionário público estadual efetivo. Em 1963 passou a Médico-adjunto do HC e, desde 1964, Médico-Assistente. Em 1967, após tese de doutoramento passou a Assistente-Doutor da Clínica Neurológica.

Desde 1959, estimulado pelo Prof. Lefèvre, passou a participar dos Cursos de Aperfeiçoamento para Médicos organizados por ele, além de auxiliar na formação de Residentes e Estagiários que freqüentaram a Clínica Neurológica para formação neuropediátrica. Pessoalmente organizou também Cursos de Neurologia Infantil e outros, a saber: em Santos, na Clínica Infantil do Ipiranga; curso sobre Erros Inatos do Metabolismo em São Paulo; na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis; na Sociedade Paraense de Pediatria, em Belém; Curso sobre Diagnóstico Médico em Deficiência Mental (1976), em São Paulo; Curso de Neurologia Infantil da Coordenadoria de Saúde Mental (em São Paulo) e, finalmente, em 1983, Curso de Extensão Universitária "Atualização em Neurologia Infantil", com 30 horas de duração e participação de toda equipe do Serviço de Neurologia Infantil, nas aulas para 43 médicos do Brasil todo. Realizou também curso sobre "Enfermidades Metabólicas do Sistema Nervoso", ministrado no Serviço de Neuropediatria da Faculdade de Medicina de Montevideo, de 1 a 4.12.1976, ministrando 4 aulas além de 2 a cargo do Prof. B. J. Schmidt.

A par dessa atividade didática publicou alguns trabalhos científicos, geralmente em equipe. Desde o início de sua carreira neuropediátrica, sentiu-se inclinado a seguir as pegadas do Mestre, tendendo para o estudo da Semiologia. Orientado então pelo Prof. Lefèvre, realizou sua tese de doutoramento que versou sobre "Padronização do exame neurógico da criança normal no primeiro ano de vida", tendo sido aprovado com distinção em sua defesa.

Sempre procurou assistir a Congressos Médicos da especialidade, tendo participado de vários no Brasil e alguns Internacionais. Em 1965 assistiu ao VIII Congresso Internacional de Neurologia, em Viena, onde visitou serviços de Neurologia. Em seguida, foi aos Estados Unidos, onde, em Nova York, visitou o Serviço de Neurologia e Neuropediatria da Universidade de Columbia, assistindo a duas reuniões e visitas clínicas chefiadas pelo então neuropediatra Dr. Niels Low. Em 1967, após sua defesa de tese, assistiu ao II Congresso Panamericano de Neurologia, em Porto Rico. Na oportunidade, juntamente com o Prof. Lefèvre, teve ocasião de visitar o Centro de Estudos de Fisiologia Perinatal de Porto Rico. Desta cidade, seguiu viagem aos Estados Unidos, onde visitou alguns Serviços em Nova York. No Serviço de Pediatria do Prof. Karelitz, no Long Island Jewis Hospital, foi convidado a proferir conferência sobre objeto de sua tese, a qual foi bem aceita e discutida. O mesmo aconteceu em Memphis, onde proferiu a mesma conferência no "Child Development Center" da Universidade do Tennessee.

Em 1968 foi convidado a participar, como Professor de Neurologia, na Faculdade de Medicina de Mogi das Cruzes (OMEG). Seu currículo até 1967 (excluída a defesa de tese) foi então aprovado pelo Conselho Federal de Educação. Organizou o Curso Básico sobre "Ciências do Sistema Nervoso" para o 2º ano dessa Faculdade de 1969 a 1971.

Ainda em 1967, apresentou trabalho de pesquisa sobre "Coréias infecciosas", candidatando-se a ser membro efetivo da Sociedade Latino-Americana de Investigação Pediátrica (SLAIP). Essa Sociedade, que visa o estímulo da pesquisa pediátrica na América Latina para jovens médicos, tem um rigor enorme na seleção de seus membros; o Candidato foi aprovado e para se manter na SLAIP tinha que comparecer e apresentar pesquisa, no mínimo, a cada 2 anos; em 1980 foi o único neuropediatra da SLAIP que se tornou Presidente dessa Sociedade tendo organizado sua XVIII Reunião, em Novembro de 1980, no Guarujá.

Continuou a exercer as funções de Assistente-Doutor do Departamento de Neuropsiquiatria da FMUSP e, desde janeiro de 1970, foi indicado para a Chefia do Ambulatório de Neurologia Infantil, em substituição ao Prof. Lefèvre. Continuou desenvolvendo trabalhos científicos em equipe, seja na linha semiológica (participou do grupo que continuou a realizar a sistematização do exame neurológico da criança normal), seja em trabalhos sobre crescimento e desenvolvimento de crianças nascidas de baixo peso e, ainda sobre a síndrome de Down (estudo multidisciplinar).

Em 1971 o candidato prestou Concurso para Docência-Livre, tendo efetuado 5 provas, segundo regulamento dessa época, de 20 a 25/6/71; foi aprovado com distinção, sendo sua tese sobre "Valor de alguns exames complementares no diagnóstico da Coréia de Sydenham".

Após o concurso de Professor Docente-Livre, continuou a exercer atividades concernentes ao ensino e pesquisa, além de ter procurado completar sua formação assistindo a Cursos e Congressos da especialidade.

No que concerne à Pesquisa é interessante que se ressalte os seguintes fatos:

1º. Logo após a Docência, A. B. Lefèvre publica o Livro "Exame Neurológico evolutivo do pré-escolar normal de 3 a 7 anos", em que colaborou não só no Planejamento Geral, como realizou exames de crianças, além de auxiliar na compilação de dados e no tratamento estatístico.

2º. Aproveitando a mesma pesquisa anterior, em conjunto com Flávio W. Rodrigues (do Departamento de Matemática e Estatística da USP), publica as medidas cranianas do pré-escolar normal de 3 a 7 anos de idade, demonstrando a validade do Índice Cefálico novo (ICn) descrito por ocasião de sua Tese de Doutoramento.

3º. Ambas as pesquisas tiveram repercussão internacional após sua apresentação, por ocasião da XIII Reunião da Sociedade Latino-Americana de Investigação Pediátrica (SLAIP) em Águas de São Pedro (SP) entre 18 e 22.10.1975, após terem sido escolhidos dentre os melhores trabalhos para serem publicados no Journal of Pediatrics. Com essa publicação grande foi o número de pedidos de separatas de todo o mundo;

4º. Porém, a maior repercussão se deu com as medidas cranianas, pois G. Nellhaus, autor das tabelas de Perímetros Cranianos adotadas universalmente, nos surpreendeu com seu interesse por essas medidas. Revelou-nos que suas tabelas "internacionais e interraciais" apresentavam falhas por não incluirem povos da América Latina e Asia. E, na América Latina só teve conhecimento de nossas medidas a partir da publicação no Journal of Pediatrics de seu trabalho. Apresentaram a ele também medidas cranianas do trabalho colaborativo de Santo André chefiado pelo Prof. E. Marcondes, e após discussão acerca da metodologia e dos métodos estatísticos por ele utilizados resolveu incluir as medidas e as do Grupo do Prof. E. Marcondes na futura publicação sobre as tabelas atualizadas de medidas cranianas.

5º. Ainda, quanto ao Índice Cefálico novo (ICn), é interessante ressaltar sua importância, principalmente na modificação da forma do crânio da criança, como já antevia em seu trabalho de 1968. Assim, 3 teses de Neurocirurgia sobre Cranioestenose, dos Drs. Nubor Facure e José Píndaro Pereira Plese comprovaram a validade do ICn, o qual permite com 2 medidas realizadas por fita métrica, em consultório, com feitura de um simples quociente, repetimos, permite o diagnóstico diferencial entre microcefalia e cranioestenose e de modo precoce, coincidindo com os índices radiológicos.

6º. Enquanto isso, prosseguiu em seus trabalhos de pesquisa, agora direcionados para os "Erros Inatos do Metabolismo" (EIM), assunto para o qual já demonstrava interesse desde 1965, quando iniciou a fazer testes urinários para Deficiência Mental (DM), tendo publicado o primeiro trabalho sobre Fenilcetonúria em 1966. Esses trabalhos sobre EIM foram desenvolvidos principalmente na APAE-SP, em conjunto com B.J. Schmidt e S. Krynski, pois desde a inauguração, em 1972, do Centro de Habilitação da APAE- SP, fora convidado a ser Conselheiro-Chefe em Neurologia do referido Centro. Já antes, na década de 60, participara da primeira pesquisa multidisciplinar em DM, sobre síndrome de Down, conforme o atesta a publicação de 1970. Não satisfeitos somente com testes de triagem para EIM, os referidos pesquisadores introduziram, pela primeira vez na América Latina, via Centro de Habilitação da APAE de SP, os testes de seleção em massa em berçário, inicialmente para hiperfenilalaninemas — o depois chamado "teste do pézinho". Esta pesquisa, publicada e apresentada em vários Congressos, conforme a casuística se tornava mais volumosa, já diagnosticou mais de 2 centenas de casos em recém-nascidos (RN). Além disso, recebeu tal pesquisa subvenção da Cia. Nestlé, que forneceu o "leite" especial, isento de FAL, para alimentar esses Fenilcetonúricos assim como a outros casos de fenilcetonúria que foram enviados de todo o Brasil. A equipe multidisciplinar da APAE é que trata e orienta os pacientes com fenilcetonúria, diagnosticados no Programa de Seleção em Massa. Acompanhou os primeiros pacientes sob o aspecto neurológico evolutivo. Além desse programa, outros programas de seleção em massa foram desenvolvidos pelos pesquisadores mencionados, porém em menor escala: a) os testes de seleção para Hipotireoidismo congênito, que entrou na programação do Centro de Habilitação da APAE desde 1980; b) os testes de Seleção de Heterozigotos para a GM2-Gangliosidose Tipo I (moléstia de Tay-Sachs), dirigido principalmente à comunidade Judáica de São Paulo (realizado via Hospital Albert Einstein); c) testes urinários de seleção de EIM para Mucopolissacaridoses, hidratos de carbono e outras aminoacidopatias. Interessante ressaltar que os testes para hiperfenilalaninemias e hipotireoidismo congênito se tornaram obrigatórios nos berçários, por lei aprovada pela Assembléia Legislativa e sancionada pelo Governador de São Paulo, em fins de 1983. A Federação das APAES conseguiu depois a aprovação como Lei federal.

7º. Outra pesquisa desenvolvida, iniciada na década de 1960 e que prosseguiu até meados da década de 1970, foi a referente ao acompanhamento de crianças nascidas com baixo peso; essa pesquisa foi planejada pelo Serviço do Prof. E. Marcondes e resultou já em 3 apresentações de seus resultados, além de 2 publicações, sendo uma delas referente especialmente à evolução neuropsíquica dessas crianças.

8º. Não ficando somente nessas pesquisas, se propôs a terminar o estudo sobre o Exame Neurológico Evolutivo (ENE) abordando o grupo etário mais difícil, de 15 a 33 meses de idade; nesse estudo colaborou a Dra. I. Abramovich para o setor de linguagem e de que resultou sua Dissertação de Mestrado sobre "Evolução das praxias bucolinguais"; essa pesquisa prosseguiu, tendo recebido pequeno auxílio na compra de material, da FAPESP; resultados parciais foram apresentados em Congresso;

9º. Outro campo de interesse é o referente a moléstias genéticas, em particular cromossomopatias, como revelam várias de suas publicações.

A idéia de se fazer um Manual de Neurologia Infantil se tornou premente e, assim A. B. Lefèvre e Aron Diament coordenaram a publicação do Livro "Neurologia Infantil: Semiologia + Clínica + Tratamento", Sarvier, 1980, após trabalho de mais de 2 anos em que o Candidato atuou diretamente junto à Casa Editora para que houvesse homogeneidade na publicação. A edição de 4.500 exemplares, em 3 anos, praticamente se esgotou. Teve ampla repercussão, pois em 1980/81 ganhou o "Prêmio Jaboti", o melhor Livro desse ano na área de Ciências Naturais, publicado no Brasil. Recebeu elogios de vários estrangeiros e comentários numa Revista Espanhola de Pediatria.

Além de pesquisas e publicações, participou também de vários Congressos Nacionais e Internacionais, na maioria dos quais apresentou Relatórios Oficiais e Temas Livres.

É interessante destacar a participação na SLAIP (Sociedade Letinoamericana de Pesquisa pediátrica) desde 1967, quando nela ingressou e, chegando à Presidência em Novembro de 1980, sendo encarregado de organizar a Reunião Anual de 1980. Participou de 7 Congressos Internacionais da especialidade — organizados pela ICNA (International Child Neurology Association): de Toronto (em 1975); Sydney (em 1979), Copenhagen (1982), Jerusalém (1986), Tóquio (1990), Buenos Airwes (1992), San Francisco(1994), Ljubljana (1998) apresentando vários trabalhos. Além disso, é sócio-fundador da Sociedade Latino Americana de Neurologia Infantil (SLANI); foi seu Secretário Geral de 1979 a 1981 e foi 1º Vice-Presidente eleito para o Triênio 1981/1984 em Quito. Em Copenhagen (1982), foi eleito como um dos 4 Vice-Presidentes da Associação Internacional de Neurologia Infantil, como participante do Board (Executive Committee), para o qual foi eleito sucessivamente até 1998.

Participação em Congressos:

Participou de 141 Congressos, sendo 94 no Brasil e 47 no exterior. Participou ainda de 123 Jornadas, Simpósios e Mesas Redondas no Brasil e 2 no exterior.

Como palestrante, foi convidado a congressos, simpósios e mesas redondas, onde apresentou 148 temas livres, 35 temas oficiais, 13 cursos e 12 seminários nacionais e 71 temas livres, 13 temas oficiais e 2 simpósios internacionais.

Formação Profissional:

De 1960 a 1971, o Dr. Diament realizou 139 estágios antes da Residência e, de 1972 a 2001, realizou 108 em Residência de Neurologia Infantil, 5 de Mestrado, 5 de Doutorado e 5 de Livre-Docência.

Trabalhos publicados e produção científica e cultura:

Publicou 129 trabalhos em revistas especializadas, 51 livros ou capítulos de livros na área médico-científica.

Hornarias, prêmios e distinções:

Dr. Aron J. Diament, recebeu 11 títulos, menções honrosas e prêmios, entre eles o "Prêmio Jabuti" em 1980/81.