Prótese total do disco intervertebral

A Sociedade Israeli de Ética Médica discute com muita freqüência as relações entre médico e paciente, seus interesses e as resoluções governamentais neste sentido.

A troca total, protese do disco intervertebral, ou substituição do disco degenerado da coluna vertebral por outro artificialmente construido, denomina-se "artroplastia", procedimento que agora já está bastante difundido, antes só conhecido nos USA e Europa.

A dor lombar gera em todos os países avançados um importante número de incapacitados profissionais temporários e ou definitivos, sendo o custo econômico muito alto. Temos alguns exemplos: sobre a população Sueca se demonstrou um gasto estatal de 3.300 milhões de dolares anuais (2001), para o tratamento da dor lombar e cervical. Por isto a luta contra a dor lombar seguirá sendo uma luta constante e diária.

Um estudo recente randomizado e prospectivo, feito por Fritzel P. e colaboradores, encontraram um melhor resultado da artrodese (fixação da coluna), instrumentada ao tratamento conservador. Entretanto esta solução cirúrgica não pode evitar que se produza uma importante sobrecarga mecânica dos discos adjacentes, gerando o que se tem chamado a "síndrome do disco adjacente" ou também chamado de "síndrome de transição". Park P. e seus colaboradores, revendo 271 trabalhos revisados de toda literatura, chegaram a conclusão de que esta síndrome de transição se produz de 8% a 20%. Atualmente se utilizam artroplastia de substituição com próteses totais em quase todas as articulações periféricas, porque está demonstrado que a conservação da mobilidade articular rende melhores resultados funcionais que as artrodeses. São muitas as próteses, e muitas as indicações, para os diversos níveis.

A volta ao trabalho se dá em média de três meses contra os sete meses da artrodese. (continua na página 2)

Preservar a função do segmento móvel, ao invés de optar pela artrodese parece ser uma alternativa de tratamento mais favorável para a discopatia degenerativa discal, sobretudo em pacientes jovens. A recuperação do paciente é mais rápida e voltam mais cedo ao seu trabalho, praticamente assintomáticos e livres de reações dolorosas. A recuperação da mobilidade do tronco, é muito mais uniforme, completa e precoce.

O tratamento de doenças discais degenerativas obteve uma evolução revolucionária nas últimas duas décadas. O desenvolvimento de modernos implantes surgiram em meados de 1980, com evolução de novas técnicas. Em 1990, técnicas convencionais foram substituídas por técnicas mais modernas. O desenvolvimento e criação do disco artificial, tem sido descrito por mais de quarenta anos. O método de artroplastia foi escolhido para substituir o método de fusão, até unicamente usado, que é um método de fixação, provocando então uma diminuição da flexibilidade dos movimentos da coluna, inclusive lombar e cervical mais recentemente.

O processo degenerativo discal, já começa na adolescência e segue para toda vida. A substituição ou troca do disco restabelece a motricidade normal da coluna. Os benefícios dessa nova técnica, inclue:

– Preserva o seguimento discal comprometido;

– Restaura a arquitetura intervertrebral e dos foramens;

– Protege os segmentos adicionais contra os estresses anormais;

– Restaura a biomecânica normal sobre as estruturas espinhais.

A artroplastia espinhal, constitui em uma reconstrução cirúrgica sem fusão da espinha. Tem um grande potencial de ser o método de escolha para os processos discais degenerativos. A substituição total do disco, além de manter a funcionalidade da coluna vertebral unida e preservar a sua mobilidade, imita as funções fisiológicas.

Esta técnica de artroplastia permite a substituição de discos em vários níveis simultaneamente. O disco intervertebral é confeccionado em titânio, material usado na Fórmula 1 do automobilismo e nas viagens interplanetárias.

Os exames de imagem, RX, tomografias e ressonância magnética são exames de escolha para avaliarem o real estado dos componentes discais e da coluna vertebral para decidirem pela artroplastia. A densitometria óssea também é um exame de grande valia para análise das condições ósseas.

Também existem as contra indicações desta prótese total, como:

– Osteopatias, osteoporoses;

– Deformidades espinhais, doenças congenitas;

– Suspeita de processos tumorais;

– Quadros infecciosos generalizados, gravidez;

– Dependentes de drogas.

Os discos são de tamanho e desenhos diversos, que permitem sua substituição em qualquer nível e mais recentemente na coluna cervical.

É a medicina evoluindo para um futuro antes nunca imaginado.

Dr. Felipe Wainer