A importância da prevenção na formação da cidadania

Profª. Regina Drukier Waintrob

O que é prevenção?

Quando temos por objetivo a Prevenção, devemos tomar consciência da composição da palavra: Prevenção = PRÉ-AÇÃO; o que implica em um comportamento proativo visando ampliação da consciência; recurso fundamental para a construção de uma sociedade sadia.

A concepção de prevenção pós-moderna atua em cinco níveis:

  1. promoção de saúde => o que implica numa ação global, gerando mudança de paradigma;

  2. proteção específica => o que implica em campanhas sócio-educativas focadas na melhoria da qualidade de vida;

  3. programas de ação educativa => que visam informar, desenvolver postura crítica frente a escolhas saudáveis, articulando causas e conseqüências, através de ações que impliquem no raciocínio crítico para: relacionar fatos, localizar-se no tempo/espaço, ser capaz de valorizar a si, aos outros e ao meio ambiente, desenvolver valores, preparar para o convívio harmônico, criativo e ético;

  4. redução de danos;

  5. plano de assistência e reabilitação.

Considerando que o Brasil é um país continente; onde a municipalização das ações de saúde e educação ainda está em processo de transformação devido a conjunturas políticas e econômicas, percebemos que a política de prevenção ocorre no primeiro, segundo, quarto e quinto nível, onde o custo é alto e o índice de recuperação representa-se em torno de 30 a 35%, portanto baixo.

Apesar do cientista social Alvin Toffler identificar a chegada da quarta onda, que é a da biologia molecular, o processo de transformação social e educacional é lento; a consciência ainda não absorveu a passagem da estrutura de mecanização do trabalho, industrialização e linhas de produção, onde a informação era objetivo de poder para a era da informática, que socializa a rede de informação, refletindo diretamente na tendência de globalização da economia; criando assim um hiato até que a consciência integre.

Infelizmente a educação fragmentada do saber não nos permitiu assimilar que a globalização da economia envolve a socialização da informação e do saber como objeto de construção de modelos afetivos e conduta de relações saudáveis.

Se focarmos a situação do Brasil percebemos o quanto se faz necessário crescer e transformar o comportamento social individual e coletivamente, criando uma dinâmica de relacionamento cooperativo entre as pessoas.

Esta possibilidade só se torna viável quando se investe no terceiro nível de prevenção, onde os programas de ação educativa promovem a escola como espaço social de reflexão e espelhamento das lógicas sociais que privilegia tanto o conhecimento como a transformação de consciência quer individual, quer sócio-cultural.

Por quê escola?

Porque é neste espaço que ocorre a integração de dois aspectos básicos do indivíduo.

CROMOSSOMOS => ser biológico

COMO-SOMOS => modo de ser família

É através da educação formal que ocorre a estruturação da personalidade. Promovendo o exercício do convívio social que se amplia através do ambiente de relação do indivíduo, a formação de valores se solidifica.

E como promover esta inserção social de forma saudável?

  • Estabelecendo limites com atividade, tolerando pequenas frustrações no presente a fim de desenvolver a capacidade de adiar a satisfação no futuro;

  • Propiciando uma educação inclusiva, interferindo positivamente através de ações coerentes e princípios éticos;

  • Formando indivíduos co-responsáveis pela gerência de seus recursos pessoais e ambientais, que contribuam através da crítica, para promoção da cidadania;

  • Fortalecendo a auto-estima ao reforçar valores e critérios com coerência (dizer sim sempre que possível e não quando necessário).

Quando iniciar a prevenção?

Sabemos que é atávico ao ser humano querer experienciar; portanto o trabalho de prevenção deve iniciar com ações efetivas nos três níveis de ensino:

  • Educação infantil

  • Ensino Fundamental I e II

  • Ensino médio

e nos três níveis de quem ensina, através de:

  • Programas de educação continuada para professores visando a constante sensibilização para um novo olhar;

  • Palestra com as famílias visando informar, sensibilizar e acolher;

  • Desenvolver com os alunos oficinas visando resgatar o fortalecimento da auto-estima, a expansão da criatividade e as bases psicopedagógicas, através do desenvolvimento da percepção de mundo e da autopercepção.

Prevenção é: pré ação

Prevenção é: inter-ação

Prevenção é: co-operação

Prevenção é: con-tato

atuando na construção de objetivos atingíveis, permitindo criar parâmetros de realidade, quer no plano individual quer no plano social.

Profª. Regina Drukier Waintrob: é Pedagoga com abordagem Neurolingüística, pós-graduada em Psicopedagogia pela FMU e pós-graduada em Programação Neurolingüística pela SBPN - Sociedade Brasileira de Programação, especializada em projetos educacionais; consultora educacional e empresarial, coordena a agenda da APROFEM - Sindicato dos Professores e Funcionários do Ensino Municipal; sócia fundadora e ex-presidente da ABITEP - Associação Brasileira Interdisciplinar Holística; coordena o Programa Eureca de prevenção a drogas, desenvolvido em 39 escolas públicas da rede estadual e municipal circunscritas nos distritos de saúde Sé e Santa Cecília.