A Pirâmide Epidemiológica do Bioterrorismo

Michael Huerta, MD MPH 1

e Alex Leventhal MD MPH 2

Resumo:

Eventos recentes chamaram a atenção mundial para "doenças mitológicas", tais como anthrax, pragas e varíola – que não estiveram em evidência por algumas décadas. Muito do nosso conhecimento atual de intervenção epidêmica e prevenção de doenças foi adquirido historicamente através de nossa experiência com estas doenças. Portanto é desconcertante o súbito pânico com a volta destas entidades historicamente bem conhecidas.

Com o passar do tempo, mudanças no equilíbrio do triângulo epidemiológico direcionaram cada um destes sistemas de doenças para um novo equilíbrio com o qual não estamos familiarizados.

Enquanto a patogenia possa ser similar, estas não são as doenças do passado. Estes novos sistemas de doenças são insuficientemente descritos pelo clássico triângulo da epidemiologia no qual falta a dimensão necessária para fornecer um modelo válido dos efeitos reais, a nível mundial, da doença relacionada ao bioterror.

As interações dentro do clássico triângulo epidemiológico são agora retratadas através do prisma do ambiente global, onde elas são medidas, alteradas e frequëntemente ampliadas. Doenças associadas ao bioterror precisam ser analisadas através da pirâmide epidemiológica.

A dimensão acrescentada representa o ambiente global que por sua vez representa uma parte integral nos efeitos de todo o sistema de doenças. O triângulo clássico ainda existe e continua funcionando na base do novo modelo para descrever o verdadeiro agente transmissor, mas o quadro global da doença deverá ser visto do alto do quarto ápice da pirâmide. A pirâmide epidemiológica também serve como um modelo prático para conduzir medidas eficazes de intervenção.

IMAJ 2002; 4; 498-502  

Tradução de Dina Rozenbojm  

1  Ministério da Saúde, Serviços de Saúde Pública, Jerusalém, Israel.

2 Corpo Médico da Forças de Defesa de Israel, Divisão de Saúde do Exército, Tel Hashomer, Israel.