Pele: o maior órgão vital do corpo

A pele protege órgãos delicados de serem agredidos ou infeccionados, regula a temperatura do corpo, mantém os fluidos essenciais, elimina os resíduos e logo dá um alerta de calor, frio, dor, contato e pressão. Devastadores ferimentos da pele, como extensas queimaduras de terceiro grau, são fatais a menos que haja uma intervenção especializada e rápida.

Esta intervenção depende muito da saúde da pele. Por um século os médicos tem sabido que a melhor bandagem para queimadura intensa é a pele humana. Se um paciente está excessivamente queimado para ser seu próprio doador ele precisa de enxertos de pele de um cadáver para poder ser curado. Estas bandagens biológicas de pele de doador ainda não podem ser imitadas.

Por isso a doação de pele é tão vital para a sobrevivência como a de rins, pulmões, fígado e pâncreas. Com o progresso da cirurgia, do pós-operatório e da imunosupressão, o transplante de órgãos não é mais um tratamento experimental.

Em Israel, há o problema da escassez de doação de órgãos.

Apesar de extensos esforços para convencer os israelenses a doarem órgãos, muitos entre os religiosos, tanto judeus como muçulmanos, e até entre a população secular, abstem-se de doá-los.

Desde 1997, há um programa nacional de transplante de órgãos. O Ministério da Saúde de Israel coordena um esforço emocional centralizado para poder obter doação de órgãos para transplante: providencia um encontro de coordenadores de transplante em cada hospital em Israel, dando-lhes o apoio e treinamento necessários. Também mantém um database nacional, através do qual selecionam órgãos de doadores compatíveis com os das pessoas que estão na fila de espera.

Apenas recentemente a doação de pele foi acrescentada à lista de órgãos procurados para doação. Inicialmente a obtenção de pele era difícil. Enquanto os órgãos internos precisam ser compatíveis, há necessidade de fazer culturas e devem ser utilizados horas após a morte do doador, já a pele pode ser utilizada em até 48 horas, além de poder ser preservada por até cinco anos. A tecnologia da criopreservação permite que a pele seja conservada em um Banco de Pele.

O transplante de pele tem uma imensa vantagem em relação ao transplante de outros órgãos. Ela irá se regenerar desde que não seja completamente destruída, portanto necessita apenas ser substituida temporariamente. Mesmo assim, é uma contínua luta contra o tempo.

A pele de doadores é sempre rejeitada porque ela é tão imunogênica que enxertos de um paciente para outro apenas pega temporariamente. Mesmo com drogas imunosupressivas a pele é rejeitada após no máximo 14 dias. Os enxertos precisam ser recolocados antes que a rejeição comece, sendo que cada transplante sucessivo precisa ser de um doador diferente.

Com o acréscimo da pele na lista de órgãos que podem ser feitos em culturas, um doador pode salvar até 50 vidas.

Suplemento do Hadassah Magazine – Spring/2001

Tradução: Dr. Pinkus Rozenbojm